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| Livro: |
Os 50 Maiores Erros da Humanidade
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| Autor(es): |
Trajano Leme Filho |
| Editora: |
Axcel Books |
| Ano: |
2004 |
| Nº de páginas: |
908 | |
Será que existe alguma semelhança entre as Cruzadas dos reis
católicos e Napoleão? Algo que esteja além do desejo de sair de uma
guerra, cada qual em sua época, como vencedor? Sim, a semelhança
está no fato de que ambos cometeram erros fatais que mudaram o curso
da História mundial. Trajano Leme Filho apresenta no livro “Os 50
Maiores Erros da Humanidade” uma coletânea de contos, que vão desde
a Guerra de Tróia até o fatídico 11 de setembro, passando pelos
principais eventos ou personagens da história. O livro é uma síntese
da evolução da humanidade a partir de uma ótica muito peculiar: o
erro.
O princípio básico da obra de Trajano é apresentar em
profundidade os detalhes, as curiosidades, as personagens e as
tramas de cada evento, para concluir com a descrição do que seria o
erro grandioso da qual não havia mais volta. Organizado em ordem
cronológica, o livro demonstra, por exemplo, que a independência dos
Estados Unidos, originada, sobretudo, a partir do erro do rei George
III, chamado pelo autor de ‘o Rei do Big Bang’, desencadeou um
conjunto de acontecimentos que culminaram com a Revolução Francesa,
que pregava o fim do absolutismo e a implantação de uma República,
seguindo o lema sempre atual da liberdade, igualdade e fraternidade.
Um dos principais personagens dessa revolução foi Danton – que
também tem seu capítulo no livro – demonstrando como essa ação
popular chegou ao seu ápice derrubando o rei Luís XVI e declinou,
possibilitando o surgimento de um oficial de exército ainda sem
muita expressão: Napoleão Bonaparte.
A partir de Napoleão, o livro demonstra que um trágico erro de
estratégia levou não apenas a França ao fracasso em sua empreitada
de dominar o mundo, mas também possibilitou a independência das
colônias espanholas no continente americano, fato que fortaleceu o
poder de dom Pedro II no Brasil, que sempre lutou em prol da unidade
de seu país. Aportando no Brasil, o livro apresenta primeiro
Tiradentes e depois Irineu Evangelista de Sousa, o visconde de Mauá,
um homem cuja fortuna estendeu-se por vários países e chegou a ser
tão grande quanto o orçamento do próprio Império do Brasil,
despertando a inveja dos poderosos de sua época. Mas seu triste
fracasso também deve-se a um erro fatal, explorado no livro com as
cores do Brasil do século XIX, que vivia na corda bamba entre as
lutas abolicionistas, os discursos republicanos e a Guerra do
Paraguai, financiada pelo próprio Irineu.
Trajano também
explorou a Antigüidade, demonstrando como o maior de todos os erros
em sua opinião, a destruição da Biblioteca de Alexandria, poderia
ter mudado a História mundial. Nesse centro do saber, anos antes de
Cristo, pensadores descobriram os princípios da hidráulica, da
mecânica e da ótica. Caso as disputas religiosas não tivessem
acabado com os livros e pergaminhos lá existentes, talvez um dos
maiores mistérios do mundo fosse revelado: como as pirâmides do
Egito foram construídas. Também é possível imaginar que a Revolução
Industrial poderia ter acontecido séculos antes. Nesse caso, como
seria o mundo nos dias atuais?
Mas como sempre, a religião retardou um pouco esse processo.
Assim, “Os 50 Maiores Erro da Humanidade“ não perdeu a oportunidade
de apresentar as falhas das Cruzadas, da Santa Inquisição e até do
excessivo controle da Igreja católica, que não apenas caçou hereges,
como impediu que o avanço da medicina controlasse a propagação da
peste negra pela Europa no século XIV.
A música também teve seu lugar na obra, representada pelo gênio
Mozart, morto com 35 anos de idade. O cinema não podia ficar de fora
e escalou Marilyn Monroe para estrelar um capítulo sobre sua triste
e solitária vida. Presidentes e líderes mundiais também não foram
esquecidos: Kennedy, Otto von Bismarck e até Saddam Hussein. E por
que os bandidos não poderiam ser citados? Afinal de contas, eles
também não erram? Para isso, as vidas de Al Capone, Bonnie &
Clyde e dos criminosos do assalto ao trem pagador foram dissecadas,
cada qual em sua época, cada qual com seus anseios e medos.
Curiosidades foram exploradas na obra, dando mais cor às
narrativas do autor. Um bom exemplo é o capítulo sobre a destruição
das florestas, certamente um dos grandes erros da humanidade, onde a
riqueza da sociedade amazônica do início do século XX é descrita,
resultado da exploração da borracha, a mesma borracha que incentivou
Henry Ford a fundar uma cidade no norte do Brasil, a Fordlândia, que
foi à bancarrota em pouco tempo.
“Os 50 Maiores Erros da Humanidade” é uma obra completa, mas que
não tem a pretensão de tornar-se a única verdade. Seguindo o
preceito do NetHistória de que a multiplicidade de interpretações é
uma saudável fonte de aprendizado, torna-se óbvio que diferentes
formas de entender a História podem levar os leitores a conclusão de
diferentes erros fatais. O mais importante é entender as origens de
todos os acontecimentos, as maneiras como personagens tornaram-se
famosos ou conseguiram ‘hipnotizar’ verdadeiras multidões. Esse foi
o caso de Hitler, que espera-se que não aconteça novamente no
futuro.
No final das contas, a mensagem é que os erros são sempre mais
pedagógicos do que os acertos. Por isso, espera-se que o homem possa
crescer não apenas em riqueza material, mas também nas grandes
riquezas espiritual, social e moral.
Release do autor
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