Sábado, 08 de Janeiro de
2005 Livro analisa fatos históricos
importantes e revela os 50 maiores erros que mudaram o
mundo
Ainveja que Júlio César tinha de
Alexandre, o Grande, provavelmente tenha sido a
principal causa do declínio do Império Romano, séculos
antes de seu fim oficial. César era ambicioso e almejava
ter mais que o imperador macedônio – cuja vida poderá
ser vista pelos brasileiros na produção Alexandre, do
diretor Oliver Stone, com Colin Farrell no papel
principal, e que estréia dia 14 nos cinemas. O tanto
querer de Júlio César inspirou a conspiração que o
assassinou, interrompendo um processo que levaria o
apogeu romano muito além, dadas as reformas implantadas
por seu imperador. De acordo com o historiador Trajano
Leme Filho, esse foi o maior erro dos romanos. Trajano
está lançando Os 50 Maiores Erros da Humanidade (Axcel
Books do Brasil Editora, 908 páginas), onde relata, pela
perspectiva do erro, momentos que mudaram o
mundo.
De acordo com Trajano, a humanidade
avançou por seus acertos, mas também pelos erros que
cometeu. Desta forma, ele pesquisou causas e efeitos das
atitudes de grandes personalidades históricas e joga
nova luz sobre as atitudes de Adolf Hitler, Juscelino
Kubitschek, Marilyn Monroe, John Kennedy, Saco &
Vanzetti, Tiradentes, Che Guevera e alguns fatos como as
catástrofes do Titanic, Chernobyl e 11 de setembro de
2001, quando dois aviões derrubaram as Torres Gêmeas do
World Trade Center, em Nova York (EUA).
O ocaso
norte-americano que vitimou três mil pessoas e deixou o
mundo à mercê do terror, segundo as análises de Trajano
Filho, poderia ser evitado se o governo Bush tivesse
levado em conta um relatório da CIA (Central de
Inteligência dos EUA) que previa os ataques e detalhava,
inclusive, como e onde os terroristas da Al Qaeda
estavam sendo treinados para o evento planejado por
Osama bin Laden. Esse fato também é mostrado no premiado
filme Fahrenheit 11 de Setembro, do diretor Michael
Moore.
Atitudes imprevistas de gente que pensava
cada passo a ser dado, mudaram histórias e perspectivas
em várias partes do planeta. No Brasil, o ex-presidente
Juscelino Kubitschek, "que não tomava decisões
precipitadas", segundo o autor, num ato imprevisível
trocou uma viagem de avião por carro e morreu minutos
depois, num acidente, em 22 de agosto de 1976, no
quilômetro 165 da Via Dutra, no sentido São
Paulo-Rio.
A obssessão de Adolf Hitler em ser
maior que Napoleão Bonaparte já demonstra o fato de que
ele era o próprio errante. Mas Trajano Filho mostra em
seu livro que o mais bárbaro líder de nosso tempo –
mesmo tendo conseguido parcial êxito bélico em sua
jornada sanguinária pela Europa – caiu devido à ambição.
Essa "qualidade" de Hitler o fez cometer outro erro, a
traição. Foi ao romper o acordo de não-agressão com os
soviéticos, em 22 de junho de 1941, quando invadiu
aquele território com 3,1 milhões de soldados – seguindo
os passos errados de Napoleão, um século e meio antes –,
que o líder fascista alemão começou a perder a Segunda
Guerra Mundial e, conseqüentemente, a livrar o mundo de
sua figura repugnante. Stalin, o ditador russo, se
aproximou dos ingleses e fechou o cerco a Hitler. Como
os alemães não haviam levado suprimentos suficientes
para a batalha, pois achavam que seria uma ação rápida,
as tropas russo-inglesas e o frio insuportável do
inverno europeu, já meses depois da invasão, aniquilaram
os contingentes de Hitler, que, um ano depois, retirou o
time de campo.
Os 50 Maiores Erros da Humanidade
faz relatos precisos dos momentos que os antecederam,
com posicionamento histórico baseado em uma bibliografia
de 80 títulos pesquisados entre jornais, revistas,
livros, enciclopédias e sites da internet. Trajano Filho
mostra o panorama da época, os passos da humanidade, o
erro propriamente dito e as conseqüências, elencando,
ainda, os fatos em ordem cronológica. Além da
curiosidade, a leitura é uma boa orientação pela ótica
da revisão histórica.
A pesquisa analisa ídolos
pop, como Marilyn Monroe e Jerry Lee Lewis, "The Killer
do rock'n'roll", que se casou com a prima de 13 anos de
idade, escandalizou o mundo, influenciou Chuck Berry e
Beatles, se afundou no álcool e acabou preso depois de,
numa brincadeira de mau gosto, dizer que iria matar
Elvis Presley.
Maior símbolo sexual da história
de Hollywood, Norma Jeane Baker, popularizada como
Marily Monroe, era cercada de mitos. Muito foi dito de
sua vida amorosa extensa, inclusive um romance com os
irmãos Bob e John Kennedy, mas Trajano destaca como o
erro fatal de sua vida – que teria levado ao suicídio em
5 de agosto de 1962, por overdose de barbitúricos – a
opção pela solidão.
Tiradentes, o
primeiro revolucionário brasileiro, esperou demais para
lançar sua revolução num período em que o povo dormia e
acordava revoltado com os elevadíssimos impostos
cobrados pela coroa portuguesa. Na visão de Trajano
Filho, a traição cometida por Joaquim Silvério dos Reis
poderia ter sido de qualquer um dos inconfidentes. Para
ele, o que acabou com o sonho da independência a partir
de Minas Gerais foi a demora em se tomar uma
decisão.
O Titanic, cuja tragédia foi
popularizada pelo cinema, naufragou pelo excesso de
velocidade. Os comandantes do navio tinham recebido
muitos avisos de que icebergs flutuavam no seu caminho.
Teriam que ter reduzido a velocidade, mas ignoraram o
fato. Muitos morreram a 22,5 nós, dois acima do que era
considerado o limite da prudência para aquela
situação.
Trajano Leme Filho levou um ano para
montar seu tratado dos erros que mudaram a história. O
resultado é um considerável compêndio de fatos, muitos
deles deixados à margem da história oficial, que
esclarecem muito sobre a arrogância e a presunção de
seres humanos detentores de algum poder e que pensam ser
mais do que são.
Os 50
Maiores Erros da Humanidade – De Trajano Leme Filho
(Axcel Books do Brasil Editora). 908 páginas. Preço
médio: R$ 69.
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